u_u (Sem saco pra bolar um título decente)
"Walk on, walk on
What you've got they can't deny it
Can't sell it, can't buy it
Walk on, walk on
Stay safe tonight
An I know it aches
And your heart it breaks
And you can only take so much
Walk on..."
(U2 - Walk on)
Eu fico imaginando que seria bacana achar alguém que pudesse responder a todas as minhas perguntas. Alguém que tivesse a resposta para sanar todas as minhas dúvidas. Um pai, um psiquiatra, um amigo, um sábio, um padre, um mestre voodoo, sei lá. Alguém para quem eu pudesse perguntar qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, que ele teria a resposta, pura e simplesmente.
Mas daí eu me dou conta que existem perguntas que simplesmente não têm respostas. Ninguém, ninguém mesmo, tem tais respostas. E não porque não sabem, mas porque elas inexistem. O ser humano é o único ser racional capaz de ter a irracionalidade de formular questões retóricas. Nos indagamos sobre tudo. Sempre. Tentamos compreender e entender a tudo, mas não conseguimos só porque algumas coisas simplesmente não são compreensíveis. Podemos até tentar com todas as forças, perder noites de sono tentando realmente entender, compreender, assimilar... Mas não adianta. Não são compreensíveis e nem nunca vão ser.
Estamos num abismo. Não existe ponte. Não existe fundo. Não existe alguém para responder e/ou indicar caminhos. Não porque não achamos tal pessoa, mas, só porque essas respostas e caminhos é que não existem.
Estamos livres para criarmos (ou não) as nossas próprias respostas. Ou livres também para vivermos apenas com a pergunta, encarando o ponto de interrogação de frente, fútil e infantilmente, esperando alguém continue o texto. A espera de uma resposta milagrosa que, inevitavelmente, não chega. E nem vai chegar. Só o que resta afinal é encarar a realidade e o "?" tão fatídico e solitário no final de cada 'por quê' que insistimos em repetir.
É isso, no final das contas, que nos dá tamanha liberdade de fazermos e sermos o que quisermos. É essa falta de respostas que nos deixa responder - ou deixar de - como bem entendermos, que nos deixa trilhar nossos próprios caminhos. É esse mistério que nos deixa SER sem a intervenção de ninguém, sem ninguém dar palpite. Sem um pai, um psiquiatra, um amigo, um sábio, um padre, um mestre voodoo, um santo ou um deus apontar um caminho ou dizer o que devemos fazer. Porque não devemos nada. Não existe um caminho certo. Não existe uma resposta para o que devemos fazer, as opiniões certas a se ter ou que caminhos tomar. Nem viver precisamos, podemos até optar por NÃO SER. "Viver é optar" - ui, que papo mais Matrix -, temos as perguntas e ninguém tem as respostas. O que temos apenas, é um papel em branco sem linhas para escrevermos o que quisermos, como bem entendermos.
Temos o abismo clamando para ser vivido da forma como cada um quiser. Afinal, se a nossa vida tivesse algum sentido definido, estaríamos presos. Presos como um guepardo está preso ao seu instinto predador.
Porém (ah, os poréns), algumas vezes, quando o cansaço bate... Parece que seria muito mais fácil se alguém nos indicasse as respostas. "Abra a gaiola de um pássaro e ele foge. Dê liberdade a um homem, ele se encolhe num canto da sala". Mas... Algumas vezes... Parece voar... Apenas... Cansa...

